Este modelo de pesquisa foi elaborado pelo IPTC – Instituto Paulista do Transporte de Cargas e pelo departamento de Recursos Humanos do SETCESP – Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região como sugestão de ferramenta para levantamento de riscos psicossociais em atendimento à NR-1.
Esse modelo ajuda a identificar riscos psicossociais com uma metodologia simples e objetiva. Recomendamos que o formulário seja disponibilizado para todos os colaboradores.
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou nesta quinta-feira (17/7), durante a 1.012ª Reunião de Diretoria Colegiada (ReDir), o reajuste dos pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas no Brasil. A atualização presente na Resolução 6.067 considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 3,28% entre dezembro de 2024 e maio de 2025, e o preço médio do óleo diesel S10, fixado em R$ 6,02 por litro, conforme levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A medida, de caráter ordinário, é prevista pela Lei nº 13.703/2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Além disso, a atualização segue a metodologia consolidada pela Resolução ANTT nº 5.867/2020, que norteia os cálculos com base em custos fixos (como remuneração e capital) e variáveis (como diesel e manutenção). A revisão não altera a estrutura da tabela, mas apenas os valores de referência.
Tabela 1 – variação geral por tabela considerando os coeficientes CCD
Analisando os tipos de tabela contempladas no ato normativo, podemos concluir quem sofreu maior aumento foi a Tabela A, quando há contratação da composição veicular no transporte de carga lotação, com variação de 5,85% frente a 2,98% de aumento geral.
Em resumo, a atualização entrou em vigor na data de sua publicação, com um acréscimo no coeficiente de deslocamento (CCD), que passou de R$ 5,826/km para R$ 5,913/km, considerando todas as tabelas disponíveis na resolução. Já o coeficiente de carga e descarga (CC) também sofreu alteração, atualizando o custo fixo de R$ 444,89 para R$ 466,92.
Isoladamente, se analisarmos as categorias de carga, quem sofreu o maior impacto foi o transporte de carga perigosa (geral) – tabela A, considerando as variações de CCD e CC previstas na legislação para veículos de 5 e 6 eixos, atingindo 8,87% de aumento.
Tabela 2 – variação média em cada tabela do piso mínimo considerando os coeficientes de CCD
Em contrapartida, as operações de carga Perigosa (geral) da tabela D – para operações em que haja a contratação apenas do veículo automotor de cargas de alto desempenho, foi quem sofreu a menor alteração em relação as demais categorias, o que resultou em uma variação de 1,36%.
Caso você, transportador, siga rigorosamente a tabela do piso mínimo, pode aplicar os novos valores encontrados na Resolução 6.067, de forma simplificada na calculadora para o piso mínimo em nosso site, acesse: http://iptcsp.com.br/calculadora-do-piso-minimo-de-frete/
Esta calculadora foi desenvolvida para auxiliar empresas da base territorial do SETCESP no cálculo da PLR baseado na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) vigente de 01/05/2025 a 30/04/2026.
O anúncio do governo federal, em 25 de junho de 2025, de elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 14% para 15% (B15), a partir de 1º de agosto, reacendeu um importante debate técnico sobre os impactos dessa política no setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). A decisão, tomada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), desconsidera uma série de alertas emitidos por entidades como a NTC&Logística e a Confederação Nacional do Transporte (CNT), que apontam efeitos adversos já constatados na operação diária das transportado.
Fonte: Elaborada pela autora, baseado em dados da CNPE, ANP, NTC&Logística e CNT
Analisando a evolução da adição de biodiesel no diesel entre 2016 e 2025, ilustrando o crescimento gradual do percentual da mistura de B7 até B15. Ele pode ser inserido diretamente no artigo como elemento visual da seção “Impactos Técnicos e Operacionais” ou no início como parte de um resumo visual.
1. Impactos Técnicos e Operacionais
Desde a implementação do B14, em março de 2024, transportadoras em todo o país relatam aumento nos custos operacionais, principalmente relacionados à manutenção preventiva e corretiva. Estudo da NTC&Logística demonstrou que a vida útil dos filtros de combustível foi reduzida pela metade, com aumento de mais de 7% nos custos de manutenção por veículo. Em termos práticos, uma frota com 100 veículos pode ter, ao longo de um ano, um acréscimo de custo equivalente à aquisição de um novo caminhão.
Além disso, há registro recorrente de panes e falhas mecânicas ligadas à contaminação e instabilidade do biodiesel, especialmente no momento em que o combustível chega às distribuidoras. A presença de impurezas e a tendência de formação de borra e cristais, sobretudo em regiões de clima frio, elevam o risco de paralisações e comprometem a segurança viária.
2. Consequências Ambientais e de Eficiência
Embora o biodiesel seja promovido como alternativa mais sustentável, estudos da UnB e da UFMG indicam efeitos contraditórios no uso prático. O aumento do teor de biodiesel está relacionado a:
Maior consumo específico de combustível (km/l reduzido);
Elevação das emissões de gases como CO₂ e NOx, especialmente em motores não adaptados;
Perda de torque e potência, afetando a performance dos veículos em trechos mais exigentes (como subidas de serra ou rotas com carga pesada).
Esses efeitos acabam por anular parte dos ganhos ambientais esperados, além de pressionar os custos operacionais das empresas transportadoras.
3. Pressões Econômicas e Cadeia Produtiva
A principal matéria-prima do biodiesel no Brasil é o óleo de soja. Com a elevação da demanda provocada pelo aumento da mistura, há um efeito cascata nos preços dos alimentos, pressionando ainda mais a inflação. Isso afeta tanto a competitividade do frete como o próprio custo de vida da população, num momento em que o país ainda busca estabilidade econômica.
Correlação entre aumento do Bx e preços do óleo de soja
4. Riscos ao Planejamento Logístico e à Confiança no Setor
Do ponto de vista da gestão de frota, o aumento da mistura obriga as empresas a reverem seus planos de manutenção, rotas e estoques de peças, além de intensificar a necessidade de treinamento de motoristas e mecânicos. Isso gera custos indiretos e aumento da complexidade logística, especialmente para transportadoras de médio e pequeno porte, que têm menor capacidade de absorver mudanças abruptas.
Há ainda o risco de quebra de confiança na política energética nacional, ao se promover uma mudança sem ampla discussão técnica com os setores diretamente afetados. Além disso, o aumento da mistura pode comprometer a previsibilidade operacional, especialmente para transportadoras menores.
Considerações Finais
É fundamental que qualquer avanço em políticas de biocombustíveis seja feito de forma gradual, técnica e dialogada. A transição energética é necessária, mas não pode ocorrer em detrimento da eficiência logística, da segurança viária e da sustentabilidade econômica das empresas que compõem a espinha dorsal do abastecimento no Brasil.