Nosso E-book sobre acidentes de trânsito foi cuidadosamente atualizado com o objetivo de oferecer informações essenciais e reforçar a conscientização sobre a importância da segurança nas vias. Esta nova edição com dados de 2024, trazendo uma visão ainda mais atual e precisa da realidade dos acidentes envolvendo o transporte rodoviário de cargas.
O material inclui estudos técnicos detalhados que analisam causas recorrentes, perfis dos envolvidos e características marcantes dessas ocorrências. A apresentação dos dados é feita por meio de representações gráficas claras e objetivas, facilitando a compreensão dos principais pontos abordados.
Com foco na prevenção, também inserimos dicas práticas que contribuem para a redução de acidentes e fatalidades nas estradas. Nosso propósito é oferecer uma base sólida de conhecimento, atualizada e confiável, para estimular a construção de um trânsito mais seguro para todos.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (28/05), a atualização dos valores dos pisos mínimos de frete do transporte rodoviário de cargas. A Portaria Suroc nº 23/2025 atualiza os coeficientes de pisos mínimos de frete em decorrência de reajuste no preço do Diesel S10.
A Lei nº 13.703/2018, determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5%, seja para baixo ou para cima, chamada de “gatilho”.
Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), considerando o preço final do Diesel S10 nas bombas entre 18/05/2025 e 24/05/2025, o preço médio do Diesel S10 ao consumidor ficou em R$ 6,10 por litro, o que resultou em um percentual de variação acumulado de -5,28%, desde quando ocorreu o último reajuste na tabela frete, quando o valor de referência adotado foi de R$ 6,44 por litro.
Tabela 1: impacto geral por tabela considerando os coeficientes CCD
Analisando os tipos de tabela contempladas no ato normativo, podemos concluir quem sofreu maior redução foi a Tabela D, quando há contratação apenas do veículo automotor de cargas de alto desempenho, com queda de -2,97% frente a -2,56% de redução geral.
Isoladamente, se analisarmos as categorias de carga, quem sofreu o maior impacto foi o transporte de carga Frigorificada / Aquecida – tabela D, considerando as variações de CCD previstas na legislação, atingindo -3,28% de redução.
Tabela 2: variação média em cada tabela do piso mínimo considerando os coeficientes de CCD
Em contrapartida, as operações de carga Perigosa (Granel Líquido) da tabela A – Transporte Rodoviário de Carga Lotação, foi quem sofreu a menor alteração em relação as demais categorias, o que resultou em uma variação de –2,10%.
Em resumo, a atualização entrou em vigor na data de sua publicação, com um decréscimo no coeficiente de deslocamento (CCD), que passou de R$ 5,987/km para R$ 5,826/km, considerando todas as tabelas disponíveis na resolução. Já o coeficiente de carga e descarga (CC) permaneceu inalterado, mantendo o custo fixo de R$ 444,89.
Caso você, transportador, siga rigorosamente a tabela do piso mínimo, pode aplicar os novos valores encontrados na Portaria nº 3, de forma simplificada na calculadora para o piso mínimo em nosso site, acesse: http://iptcsp.com.br/calculadora-do-piso-minimo-de-frete/
Contratações formais crescem no transporte, com destaque para a área operacional
Nesta edição, o Rota Empregadora analisa o desempenho do mercado de trabalho formal no transporte rodoviário de cargas, com base nos dados completos de 2023 e 2024.
O setor encerrou 2024 com mais de 720 mil admissões formais, o que representa um crescimento de 13,35% em relação ao ano anterior.
O protagonismo desse movimento ficou por conta da área operacional, que além de representar a maior parte das admissões no setor, foi também a que mais cresceu proporcionalmente: +15,35% em apenas um ano.
Destaque: +85 mil admissões a mais em 2024. A base do transporte está em expansão — e ela começa na operação.
Equidade em Curso: A operação ainda é masculina — mas isso está mudando
Historicamente, a área operacional do transporte rodoviário de cargas é dominada por homens. Em 2023, apenas 7,2% das contratações nessa área foram de mulheres.
Mas esse cenário começou a se transformar. Em 2024, a participação feminina nas admissões operacionais subiu para 9,1%, impulsionada por um crescimento expressivo nas contratações: foram 51.578 mulheres admitidas, um salto de 45,3% em relação a 2023.
Enquanto os homens tiveram um crescimento de 13% nas admissões operacionais, o avanço feminino foi mais de três vezes maior. Ainda é minoria — mas é uma minoria em movimento.
Destaque: De 35 mil para 51 mil em 1 ano. Crescimento de +45,3% nas admissões femininas em 2024.
Onde elas estão ganhando espaço: Onde elas estão ganhando espaço
O avanço das mulheres na operação do transporte rodoviário de cargas não aconteceu de forma genérica — ele se concentrou em algumas ocupações-chave, onde o crescimento foi ainda mais expressivo.
Destaque: Cargos operacionais com maior crescimento feminino (2023 → 2024): Auxiliar de logística: 12.972 → 23.167 (+78,6%) Tecnóloga em logística de transporte: 2.755 → 3.631 (+31,8%) Conferente de carga e descarga: 1.376 → 1.713 (+24,5%)
Mulheres no Volante: Um dos dados mais simbólicos do avanço feminino na operação do transporte de cargas está no cargo de motorista — historicamente associado à figura masculina.
Em 2024, as contratações de motoristas mulheres cresceram 19,6%, mais que o dobro do crescimento entre os homens, que foi de 8,5%. Ainda são minoria em termos absolutos (foram 5.296 mulheres contratadas, contra 288 mil homens), mas o ritmo de crescimento mostra que o setor está, aos poucos, quebrando estereótipos e abrindo espaço.
Com a demanda por motoristas crescendo e a oferta masculina estagnada, a presença feminina surge como alternativa e como solução. Um movimento que reflete o esforço de empresas e entidades para promover mais equidade de gênero nas estradas e nos bastidores da logística.
Salários sobem com o nível de escolaridade — mas o setor ainda enfrenta desafios.
A qualificação profissional tem impacto direto nos salários do setor de transporte. A diferença entre os rendimentos médios de trabalhadores com ensino superior completo e aqueles com apenas o ensino médio é de 52%. No topo da formação, mestres e doutores recebem em média, salários 65% maiores que aqueles com ensino superior.
Apesar disso, o setor ainda enfrenta dificuldades para atrair profissionais com maior escolaridade. Enquanto mais de meio milhão de admissões ocorrem em 2024 entre pessoas com ensino médio, apenas 222 foram registradas com mestrado ou doutorado — um número ainda irrisório diante do tamanho do mercado.
O dado revela um cenário desafiador: mesmo com salários mais altos para quem tem maior grau de instrução, o transporte rodoviário de cargas ainda precisa avançar na valorização e absorção de mão de obra qualificada.
Desafios do Setor: Áreas e Cargos em Alta
Perfil de Idade das Contratações (2020 x 2024)
Nos últimos quatro anos, o perfil etário das contratações no setor de transporte mudou. Se em 2020 o maior volume de admissões se concentrava entre os 31 e 40 anos, em 2024 esse protagonismo migrou para faixas mais jovens: de 21 a 30 anos. O crescimento mais expressivo ocorreu entre trabalhadores com menos de 20 anos, sinalizando uma abertura maior para aqueles com pouca experiência no setor. O dado reforça uma mudança geracional nas contratações e levanta questões sobre capacitação, experiência e renovação da força de trabalho no setor. Você já percebeu essa mudança no seu dia a dia?
Oportunidades de Emprego: Entre 2020 e 2024, o número de admissões de trabalhadores com menos de 20 anos no setor de transporte mais que dobrou — saltando de 33 mil para 71 mil, um crescimento de 112%. O dado sinaliza um movimento relevante de renovação e abertura para novos perfis profissionais, especialmente em funções de entrada, tanto operacionais quanto administrativas.
Esse crescimento expressivo reflete uma mudança positiva no mercado: o setor tem demonstrado maior capacidade de integrar jovens em início de carreira, oferecendo oportunidades que, até pouco tempo atrás, eram mais restritas a profissionais com maior experiência.
A seguir, destacamos quatro cargos que registraram aumentos significativos nas admissões de jovens:
🔧 Operacionais
• Auxiliar de logística: Saltou de 1.411 admissões em 2020 para 10.269 em 2024 — um aumento de 628%
• Carregador de armazém: De 670 admissões em 2020 para 1.920 em 2024 — um aumento de 187%
🗂Administrativos
• Auxiliar de escritório: De 6.742 admissões em 2020 para 13.675 em 2024 — um aumento de 103%
• Assistente administrativo: De 2.929 admissões em 2020 para 7.217 em 2024 — um aumento de 146%
Futuro do Transporte de Cargas: A área operacional continua sendo o motor das admissões no transporte rodoviário de cargas (TRC). Em 2024, ela respondeu por 565 mil contratações, frente às 318 mil registradas em 2020 — um crescimento de 77%. O volume expressivo é impulsionado, principalmente, pela forte demanda por motoristas, mas os dados revelam que outras funções operacionais vêm ganhando espaço com ainda mais velocidade.
Enquanto as admissões de motoristas de caminhão cresceram 62% no período (de 181 mil para 293 mil), funções ligadas diretamente à cadeia logística apresentaram aumentos mais acelerados:
• Auxiliar de logística: Saltou de 8.702 admissões em 2020 para 54.097 em 2024, um crescimento de 521%.
• Carregador de Armazém: Saiu de 4.950 para 12.106 admissões no mesmo período, alta de 144%.
O avanço dessas funções sinaliza uma valorização crescente das atividades de planejamento, controle e apoio logístico dentro das empresas, refletindo um setor mais estruturado e diversificado em sua operação.
Embora o número de profissionais especializados em tecnologia tenha crescido aproximadamente de 3.500 em 2020 para 4.500 até o final de 2024 — um aumento de 28% — esse número ainda representa uma fração pequena do total de profissionais do setor. A área de tecnologia continua a ser responsável por menos de 1% da força de trabalho no transporte rodoviário de cargas, refletindo um ritmo de adaptação abaixo do ideal.
Para que as empresas se mantenham competitivas, é essencial que não só modernizem suas operações, mas também invistam em talentos especializados. A adaptação tecnológica é um fator chave para garantir que o setor continue a crescer de forma sustentável e inovadora. Embora o número de profissionais especializados em tecnologia tenha crescido aproximadamente de 3.500 em 2020 para 4.500 até o final de 2024 — um aumento de 28% — esse número ainda representa uma fração pequena do total de profissionais do setor. A área de tecnologia continua a ser responsável por menos de 1% da força de trabalho no transporte rodoviário de cargas, refletindo um ritmo de adaptação abaixo do ideal.
Para que as empresas se mantenham competitivas, é essencial que não só modernizem suas operações, mas também invistam em talentos especializados. A adaptação tecnológica é um fator chave para garantir que o setor continue a crescer de forma sustentável e inovadora.
Oportunidade de Emprego: Em 2024, mais de 15 mil profissionais foram admitidos na área de manutenção, e essa tendência de crescimento deve continuar nos próximos anos, com um aumento médio anual de 7% nas contratações. Esse crescimento reforça a importância e a necessidade desses profissionais para o setor.
Entre os cargos mais demandados, o de Técnico em Manutenção se destaca, representando mais de 62% das admissões na área. Esse dado evidencia o papel essencial desses especialistas na operação e manutenção da frota, demonstrando a alta demanda por profissionais qualificados no transporte rodoviário de cargas. A área de Manutenção é essencial para a segurança e eficiência da frota, reduzindo custos operacionais e prevenindo falhas. Com uma manutenção adequada, as empresas minimizam riscos, otimizam o desempenho dos veículos e garantem a continuidade das operações no setor.
Desafios do Setor: A digitalização do transporte trouxe avanços, mas também aumentou os ataques cibernéticos. Muitas empresas negligenciam a segurança digital, tornando-se alvos fáceis de ataques e vazamentos de dados.
Apesar da alta demanda por especialistas, a oferta ainda é escassa. O setor enfrenta dificuldades na contratação e retenção de profissionais, pois a TI não é vista como prioridade e os salários são menos competitivos. Em 2024, apenas 1578 profissionais de tecnologia foram contratados no setor, e menos de 1% atuam em cargos relacionados a cibersegurança. Esse comportamento pode ser alarmante, pois, a baixa valorização da segurança digital faz com que muitas transportadoras só percebam sua importância após sofrerem ataques. Além da tecnologia, o fator humano é a maior vulnerabilidade. Ataques de phishing e engenharia social seguem como principais ameaças. Para reduzir riscos, boas práticas são essenciais: senhas seguras, backups regulares e treinamentos contínuos.
Futuro do Transporte de Cargas: O setor de transporte rodoviário de cargas, responsável por mais de 60% do transporte relacionado a cargas no país, contava com 1,3 milhão de trabalhadores em dezembro de 2024, crescendo 5% ao ano. No entanto, a alta rotatividade, de 5% ao mês, resulta em cerca de 700 mil desligamentos anuais, afetando principalmente os motoristas.
Esse alto índice de rotatividade significa que mais da metade da força de trabalho do setor é desligada e readmitida ao longo do ano, levantando questões sobre os fatores que contribuem para essa instabilidade. Entre as principais causas estão:
Baixa atratividade e condições de trabalho desafiadoras – Salários pouco competitivos, jornada exaustiva e falta de benefícios tornam os cargos menos atraentes, especialmente para os jovens.
Falta de gestão eficiente e processos estruturados – Empresas com pouca organização e planejamento enfrentam dificuldades em manter funcionários engajados e satisfeitos.
Sobrecarga de trabalho e estresse – Demandas sazonais mal gerenciadas resultam em excesso de trabalho, baixa produtividade e aumento do desgaste dos profissionais.
A alta rotatividade aumenta custos e afeta a qualidade dos serviços, tornando essencial que as empresas invistam em retenção e um ambiente de trabalho mais atrativo.
Os shopping centers vêm se tornando uma característica do comportamento de consumo brasileiro, principalmente nas regiões metropolitanas. Por isso, neste guia, você transportador, poderá consultar o procedimento de entrega, horários de recebimento e demais informações operacionais de mais de 80 shoppings da Grande São Paulo.
Empréstimo Consignado com FGTS como Garantia: Impactos para Empregados e Empregadores no Setor de Transporte Rodoviário de Cargas
A Medida Provisória nº 1.292/2025, que altera a Lei nº 10.820/2003, entrou em operação em 21/03/2025 onde permite que trabalhadores com carteira assinada usem até 10% do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia para empréstimos consignados, com descontos na folha de pagamento e limite de comprometimento de até 35% do salário. Onde o desconto das prestações será produzido diretamente na folha de pagamento pelo e-Social.
O empréstimo consignado com FGTS como garantia tem sido uma alternativa de crédito cada vez mais utilizada no Brasil. Em 13 dias de operação, o programa “Crédito do Trabalhador” já movimentou mais de R$ 3,1 bilhões em empréstimos consignados, favorecendo 500.083 trabalhadores, com um valor médio por trabalhador de R$ 6.284,45.
Essa modalidade permite que trabalhadores com carteira assinada utilizem parte do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para obtenção de crédito consignado, o que pode facilitar o acesso a empréstimos com taxas de juros mais baixas. No setor de transporte rodoviário de cargas, essa opção apresenta vantagens e desvantagens tanto para empregados quanto para empregadores. Vejam:
1. Vantagens e Desvantagens para o Empregado
Vantagens:
1. Juros mais baixos: O uso do FGTS como garantia reduz o risco para os bancos, permitindo que o trabalhador obtenha crédito com taxas de juros mais acessíveis em comparação com outras modalidades.
2. Facilidade de aprovação: Trabalhadores do setor de transporte rodoviário de cargas, especialmente motoristas celetistas, podem ter dificuldade em conseguir crédito devido à natureza da profissão. O FGTS como garantia facilita a aprovação do empréstimo.
3. Maior poder de compra: O acesso ao crédito pode permitir a quitação de dívidas com juros mais altos, a realização de investimentos pessoais ou até mesmo a melhoria da qualidade de vida do trabalhador e de sua família.
4. Parcelas fixas e desconto em folha: O pagamento do empréstimo é feito diretamente na folha de pagamento, o que evita inadimplência e facilita o planejamento financeiro do empregado.
Desvantagens:
1. Comprometimento do saldo do FGTS: Em caso de demissão sem justa causa, o trabalhador poderá ter dificuldades em acessar o saldo do FGTS, pois parte dele estará comprometida com o pagamento do empréstimo.
2. Menor proteção em emergências: O FGTS é um fundo de segurança em caso de desemprego ou para a aquisição de imóvel próprio. Usá-lo como garantia pode deixar o trabalhador mais vulnerável em momentos críticos.
3. Risco de endividamento excessivo: Como o empréstimo consignado é descontado diretamente na folha de pagamento, o trabalhador pode acabar comprometendo uma parte significativa de sua renda, dificultando seu orçamento mensal.
2. Vantagens e Desvantagens para o Empregador
Vantagens:
1. Menos pressão por adiantamentos salariais: Com maior acesso ao crédito, os trabalhadores podem depender menos de adiantamentos salariais, reduzindo a necessidade de intervenção do empregador.
2. Maior estabilidade financeira dos funcionários: Funcionários com menos preocupações financeiras tendem a ser mais produtivos e comprometidos com o trabalho, o que pode impactar positivamente a operação da empresa.
3. Facilidade na retenção de funcionários: Trabalhadores que possuem empréstimos consignados vinculados ao emprego podem pensar duas vezes antes de trocar de empresa, reduzindo a rotatividade no setor, que já enfrenta dificuldades com a escassez de mão de obra qualificada.
Desvantagens:
1. Impacto na rescisão contratual: Caso um trabalhador seja demitido sem justa causa e tenha um empréstimo consignado vinculado ao FGTS, a empresa pode enfrentar complicações no momento de liberar os valores rescisórios, o que pode gerar atritos e dificuldades na gestão do passivo trabalhista.
2. Risco de endividamento excessivo dos funcionários: Se um grande número de empregados comprometer parte significativa do salário com empréstimos, pode haver impactos negativos no bem-estar e produtividade da equipe.
3. Possível aumento de encargos administrativos: Empresas podem ter custos adicionais com a gestão do desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento, o que pode ser um fator burocrático a mais para o setor de recursos humanos.
3. Impacto Econômico no Setor de Transporte Rodoviário de Cargas
O setor de transporte rodoviário de cargas tem características específicas que tornam o crédito consignado com FGTS uma alternativa interessante, mas também desafiadora. O segmento enfrenta altos custos operacionais, como combustível, manutenção de veículos e encargos trabalhistas. O acesso a crédito facilitado pode ajudar os trabalhadores a lidar com imprevistos e manter a estabilidade financeira, reduzindo a pressão sobre os empregadores.
No entanto, o alto nível de endividamento dos funcionários pode comprometer a motivação e a produtividade, além de gerar complicações na rescisão contratual. Além disso, o setor enfrenta um déficit de motoristas qualificados, e o empréstimo consignado pode, paradoxalmente, aumentar a retenção de profissionais ao mesmo tempo que cria dificuldades para a mobilidade entre empresas.
Do ponto de vista macroeconômico, o uso do FGTS como garantia pode estimular o consumo e movimentar a economia, beneficiando indiretamente o setor de transporte com maior demanda por serviços logísticos. Entretanto, se mal utilizado, pode levar a um aumento no endividamento dos trabalhadores, reduzindo sua capacidade de consumo a longo prazo.
Portanto, o empréstimo consignado com FGTS como garantia pode ser uma ferramenta útil para os trabalhadores do setor de transporte rodoviário de cargas, oferecendo crédito acessível e com juros baixos. Para os empregadores, a medida pode trazer benefícios indiretos, como maior estabilidade dos funcionários e menor pressão por adiantamentos.
No entanto, tanto empregados quanto empresas devem considerar os riscos envolvidos. O comprometimento do FGTS pode deixar os trabalhadores vulneráveis em caso de demissão, e a administração dos descontos salariais pode representar um desafio para os empregadores.
Dessa forma, essa modalidade de crédito deve ser utilizada com cautela, com um planejamento financeiro adequado para evitar impactos negativos tanto para os trabalhadores quanto para as empresas do setor.
A Petrobras anunciou que a partir de 1° de fevereiro, está valendo o aumento no preço do diesel A vendido nas refinarias da Petrobras. Esse anuncio corresponde a uma variação de 6,29%, passando de R$ 3,50 para R$ 3,72 por litro, ou seja, um aumento de R$ 0,22. Este é o primeiro reajuste de preços desde dezembro de 2023.
Estimativas do setor de importação apontavam uma defasagem de mais de 15% nos preços praticados pela Petrobras em relação ao mercado internacional. Embora a estatal tenha abandonado a política de paridade de preços, a defasagem, diminui a competitividade dos importadores e é vista como um risco ao abastecimento, já que o Brasil não consegue atender sozinho a demanda interna.
Além disso, os estados aumentaram o valor cobrado pelo ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis, implicando em mais um repasse nas bombas. Para o diesel, o imposto estadual sobe R$0,06. Gasolina e etanol terão reajuste de R$ 0,10 de ICMS.
A alta foi definida no fim do ano passado, após meses de negociações entre o ministério da fazenda e os governadores, como resposta à redução das alíquotas do ICMS sobre os combustíveis no governo Bolsonaro em 2022. Na época, foi uma forma de baixar os preços pressionados pela disparada do barril do petróleo, com o início da guerra na Ucrânia e no meio da corrida eleitoral.
Desta forma apresentamos o seguinte cenário:
Fonte: Dados Petrobras – elaborado pela autora
As duas ações acumulam um aumento de 8,00% no preço do diesel, uma vez que como é de conhecimento público e notório, é o principal insumo na tabela de custo do transporte rodoviário de cargas e seu aumento certamente refletirá no custo do frete das mercadorias e, por consequência, no preço final ao consumidor.
IMPACTO NOS CUSTOS DE TRANSPORTE
Se considerarmos o aumento anunciado, na ordem de 8%, isso elevará os custos do transporte de cargas lotação em 1,91% na média geral, sacrificando mais as operações de longas distâncias (6000 km). Já para as operações de carga fracionada o impacto médio é de 1,08%.
Fonte: Custo Peso NTC&Logística – elaborado pela autora
Nesse caso, toda e qualquer majoração, deve ser avaliada e repassada pelas empresas, a fim de estabelecer o equilíbrio financeiro de suas atividades, mesmo que não haja previsão anteriormente mencionada em contrato, a empresa pode solicitar uma nova negociação através da formalização de uma proposta comercial com aceite.
O cenário econômico tem se mostrado desafiador. Por isso, o IPTC, realiza anualmente esta sondagem econômica para avaliar o desempenho econômico do setor de transporte rodoviário de cargas no ano vigente, bem como as perspectivas para o próximo ano.